Arte

sem título

( Leandro De Maman )


ser
veja
a si
tosco
oco
como
copo
poco
da
verdade
sicabe
ou
sisabe

Copo Cerveja
Poetadas

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Infernalmente gelada

( Alcyr Spíndola )


Záu estava irrequieto. Bom, demônios estão sempre irrequietos, mas a falta de atividade o deixava mais irrequieto. Ele era um demônio menor, nunca tendo sido “famoso”, teve sua fase áurea alguns séculos atrás, quando o aumento da população humana aqueceu o mercado de trabalho dos demônios. Depois, os humanos se tornaram mais independentes e demonstraram sua grande capacidade de fazer o mal por conta própria, dispensando da ajuda dos demônios. O mundo ficou quase tão chato quanto aquela época entre a criação do universo e o surgimento da humanidade: milhões de anos e nada pra fazer. E cá estava ele, parado de novo. Entediado, ele resolve deixar o inferno e vir checar o que o seu padre pedófilo favorito estaria aprontando. Seria apenas uma missão de observação, já que o padre em questão não precisava de nenhum incentivo ao pecado, mas serviria para passar o tempo até que surgisse uma nova inspiração para agir, pois Záu, como bom demônio que era, preferia um papel mais ativo em seus negócios. Assim como o padre. Mas no caminho até o padre, Záu topa com uma distração.
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Reticências

( ferioxp )


Enquanto a garrafa de cerveja precipitava-se em câmera lenta mesa afora, o copo já alcançava o chão, espatifando-se em minúsculos caquinhos. A franja castanha redemoinhava no ar, fios soltos, encobrindo parcialmente os olhos assustados.

May observa algo, séria,tocando de leve o vidro gelado da janelinha do quarto, a lágrima caindo dos olhos verdes. São belos esses verdes refletidos, porque choram.
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Sonata da Cerveja (para pianos desafinados)

( Thalita Coelho )


Mariana andava nas ruas pedindo dinheiro pra cerveja. Era descabelada, tinha no mínimo a mesma quantidade de espécies de piolho que Bob Marley em seus últimos dias e andava com um tênis que havia ganhado de uma velhinha da igreja, que vivia fazendo rifas e arrecadações para “jovens carentes”.Mariana não era carente. Ela não pedia porque era pobre, nem porque sentia fome. Mariana queria cerveja, e foi cerveja a vida toda que ela pediu.
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Joana, o cabo de vassoura e o avental de margaridas

( Sarah Zewe Uriarte )


E ela me olhava, me chamava, me gritava. Do outro lado da rua, minha mulher fazia o mesmo. Estava entre elas: a mulher e a cerveja. E por mais que aquela cena me soasse um tanto patética: um homem perto de seus 40 anos, não de todo feio, mas com uma barriga considerável e meio careca, sentado na mesa de um bar, fitando um copo de cerveja e desejando que ele fosse seu, assim como as garotas no balcão; e sua mulher do lado oposto, com seu avental de margaridas e o habitual pano de louça pendurado no ombro, chamando seu nome. Talvez, fosse exatamente por isso que gostava tanto da cerveja: não usava avental de margaridas, nem pendurava panos de louça como acessório.
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Insônia

( Alcyr Spíndola )


Começou tranqüilamente, de forma banal e inocente. O resumo da agência de publicidade descrevia uma cena clichê a ser fotografada para a campanha de lançamento da nova marca de chocolate.

Antes do início da sessão de fotos, ele é apresentado ao menino escolhido pela produtora. É fofinho, 2 aninhos de idade, levemente gordinho (o que transmite a imagem de bem-cuidado e simpático necessário para acalmar preocupações maternais das consumidoras). O melhor de tudo era o dedo, tortinho na medida certa, que atraia o olhar de todos, uma levíssima falha que servia para destacar a perfeição dos olhos e do rosto inteiro e que atraia a todos ainda mais.
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Criança com o dedo torto apontando para o chocolate
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Pedrinho

( Julia )


Quem sabe sábado me pula um sapo no colo e eu o coloco dentro da minha caixa de brinquedos, pensou ele. Sem saber que nenhum sapo lhe prestaria o favor de refugiar-se numa caixa de sapatos – sem brinquedo algum para fazer-lhe companhia – dormiu Pedrinho pensando em como faria para capturar os répteis que religiosamente apareciam no quintal.
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Extremamente

( Amanda Onishi )


[Insira aqui um nome] era uma menina muito pobre. Pobre e azarada, extremamente azarada. Para começar era uma menina em pleno século [insira aqui um século de extrema repressão quando falamos de mulheres]. Pior que isso? Carregava consigo uma doença extremamente devastadora a [insira aqui uma doença extremamente terrível]. Mas seu maior sonho era extremamente simples: Comer um pedaço de bolo de chocolate da padaria da Rua [insira aqui algum nome de rua], um pedaço extremamente suculento e extremamente delicioso. E todos os dias ela ia até a padaria [insira aqui um nome de padaria], com uma perna paralisada, o olho enfaixado e quase sem voz rastejava extremamente cansada até a vitrine da loja, e lá observava todos os bolos de marcas e formas possíveis. E sozinha a menina pensava consigo “Ah quem dera eu pudesse provar um pedaço extremamente pequeno do maravilhoso bolo de chocolate da padaria”, mas havia dinheiro? O pai era alcoólatra, a mãe fugira anos atrás, uma menina pobre, coitada, surrada, torta e feia como o demônio.
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Criança com o dedo torto apontando para o chocolate
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Ela veio pela janela do banheiro

( Thalita Coelho )


Uma mulher de cabelos louros quase brancos lavava a louça com entusiasmo assustador, assustador sim, afinal quem diabos limpa a casa com alegria de festa? Resposta: Maníacos por limpeza.

Exatamente isso era a Dona Mary, que há pouco chamávamos de “mulher de cabelos louros quase brancos”, totalmente, completamente, altamente maníaca por limpeza. Era mais prazeroso limpar uma mancha de molho de tomate de uma camisa branca, do que fazer sexo com o marido peludo e parrudo. A quarentona chegava a limpar  farelos de pão que estavam sobre a mesa enquanto os filhos ainda estavam comendo. Lavar a louça era a atividade mais excitante pra D. Mary, ou quem sabe, fosse limpar o banheiro: o cheiro de água sanitária, e o mantra de lavar os azulejos com uma escovinha fina e delicada, deixavam D. Mary arrepiada. (E a intenção não era rimar).
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Efêmero

( ferioxp )


___Efêmero tem gosto amargo.

As luzes piscantes de uma danceteria qualquer, encobriam o rosto moreno da menininha Darlene, aparentemente transformada em mulher  por toda aquela maquiagem. Ela não tinha uma mãezinha doente, nem a conta de algum vigarista para pagar. Ela era puta porquê gostava de gastar. Porquê gostava de sair. Porquê gostava de causar. Naquela noite, o cara que queria comêla vinha com um palavriado difícil e pseudo-cult pra cima dela. Ela adorava.
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