Extremamente

( Amanda Onishi )


[Insira aqui um nome] era uma menina muito pobre. Pobre e azarada, extremamente azarada. Para começar era uma menina em pleno século [insira aqui um século de extrema repressão quando falamos de mulheres]. Pior que isso? Carregava consigo uma doença extremamente devastadora a [insira aqui uma doença extremamente terrível]. Mas seu maior sonho era extremamente simples: Comer um pedaço de bolo de chocolate da padaria da Rua [insira aqui algum nome de rua], um pedaço extremamente suculento e extremamente delicioso. E todos os dias ela ia até a padaria [insira aqui um nome de padaria], com uma perna paralisada, o olho enfaixado e quase sem voz rastejava extremamente cansada até a vitrine da loja, e lá observava todos os bolos de marcas e formas possíveis. E sozinha a menina pensava consigo “Ah quem dera eu pudesse provar um pedaço extremamente pequeno do maravilhoso bolo de chocolate da padaria”, mas havia dinheiro? O pai era alcoólatra, a mãe fugira anos atrás, uma menina pobre, coitada, surrada, torta e feia como o demônio.

Eis que um dia, um jovem (e extremamente bem arrumado) cavalheiro saiu da loja, e vendo a pequena menina, suja e extremamente esfarrapada apontar, com seus dedinhos já todos tortos, para o bolo, sentiu-se na missão de comprar-lhe um pedaço, mesmo que fosse extremamente caro. O extremamente bondoso cavalheiro, duque de [insira aqui um nome que pareça nobre], com toda a sua elegância andou até o balcão e pediu um pedaço do precioso bolo. Mandou embrulhar o pedaço em uma caixa rosa, com flores vermelhas pintadas, e ramos verdes extremamente belos, como se brotassem de todos os solos e árvores no auge da primavera. E todos dentro e fora da loja observavam a boa ação do cavalheiro, e felizes sorriam para ele, as senhoras extremamente pomposas cochichavam dizendo: Que boa ação extremamente maravilhosa .

Ele, com tanta bondade, andou até a pobre criança, abaixou-se, e com extrema delicadeza lhe disse “Querida, um presente para você”. Seus olhos extremamente pequenos ( ou o que sobrara deles) encheram-se de lágrimas, que escorriam por sua face extremamente suja. Quase sem conseguir falar, num misto de rugido ao invés de palavras ela disse emocionada “Obrigada senhor, muito obrigada, o senhor é extremamente bondoso”. Ela arrancou as belas fitas da caixa rosa, apreciou o bolo tão belo, tão extremamente perfeito, no impulso, no êxtase do momento ela pegou o pedaço de bolo com suas mãos sujas, tão extremamente fofo, leve, sentiu cada pedacinho e foi com suas mãos aproximando o tão adorado bolo para sua boca, nada poderia acontecer de errado, era seu momento mais feliz, o único de sua vida, o pedaço extremamente suculento aproximando-se cada vez mais de seus lábios e então… Ela sentiu o maravilhoso gosto do chocolate, ficou extremamente feliz e agradecida, foi para casa, se recuperou de sua doença, casou com o gentil cavalheiro que lhe dera o chocolate e ganhou um prêmio acumulado em mais de 200 milhões (em dinheiro atual), se tornando uma rica e bela dama. O que? Achou que ela não conseguiria comer o bolo? Que o bolo cairia no chão? Que ela teria um infarto? Seu pessimista, não quer que ninguém seja feliz.