Efêmero

( ferioxp )


___Efêmero tem gosto amargo.

As luzes piscantes de uma danceteria qualquer, encobriam o rosto moreno da menininha Darlene, aparentemente transformada em mulher  por toda aquela maquiagem. Ela não tinha uma mãezinha doente, nem a conta de algum vigarista para pagar. Ela era puta porquê gostava de gastar. Porquê gostava de sair. Porquê gostava de causar. Naquela noite, o cara que queria comêla vinha com um palavriado difícil e pseudo-cult pra cima dela. Ela adorava.

Tinha 16 anos, mas aparentava uns 23, cabelos de caracóis desgrenhados, olhos irrequietos e negros. Tinha tanta classe que entrava nas lojas, cabeça erguida e era atendida como rainha. Darlene do morro, a moça criada na casa dos patrões da mamãe, com luxos e mimos.

Darlene vadia, que daria pra um mauricinho que nunca viu na vida por um daqueles vestidos que Marilena, a atendente tesuda de 23 anos, de nível universitário e marquinha de bikini (é o que dizia nos classificados dos jornais, ela conhecia todas essas) demonstrava, gesticulando excitada. Com um gesto leve, Lenne, a menina, apontou o dedo torto para o que preferia.

___O chocolate, não o amarelo-chá. Esse é horroroso.

Naquela noite juntara um dinheiro considerável no meio do decote. Foi até o banheiro, retocar o batom, e por alguns segundos, fitou-se desconfiada no espelho. Não reconheceu-se, a princípio.
Como que em uma estranha alucinação, deu-se conta de que não era ela que a fitava pelo espelho, mas outra qualquer. Tão bela e insinuante, mas não ela.

Num canto escuro do banheiro ficou soluçando a Darlene. Encolhida e triste, olhos borrados de rímel, vestido caro estragado pela sujeira do chão.

Pensou no tal do efêmero, que alguém disse que tinha gosto ruim, e em como gostava de dar nomes para seus vestidos, o que usava no momento chamava-se Cintia. Sintia a Marquesa. Riu-se.

Um homem pequenino e franzino entrou distraído no banheiro, com equipamento de limpeza. Viu a garota ali no canto soluçando e veio perguntar se estava tudo bem. Darlene levantou-se voluptuosa, empurrou-o para um box, baixou a calcinha com uma facilidade imensa de profissional, deixando entrever seu púbis de pelos enxarcados. Beijou-o na boca enquanto descobria parte do seio, fazendo-o lamber-lhe o mamilo em seguida. Pôs-se a rebolar frenéticamente sobre o homenzinho que apesar da surpresa, passou a se empenhar naquela atividade lúdica.
“Não devia ver uma boceta a anos” – Pensou-se deliciada, enquanto fingia alguns gemidinhos ocasionais, que eles adoravam.
Fê-lo gozar em instantes. Com a porra do dito cujo em mãos, enquanto este exclamava alguma coisa que ela não se deu ao trabalho de ouvir, lambeu os dedos, e sentiu o gosto do efêmero.

___É mesmo ruim.
Saiu dali radiante, não Darlene que sabia que não era, mais alguma outra pessoa que não conhecia, e que tinha cada vez menos vontade de conhecer, aquela que a acompanhava durante as compras e fodas, mas a deixava sozinha a noite, enquanto ela, verdadeira chorava sobre os lençóis caros as lágrimas salgadas, as tais das efêmeras que tinham gosto ruim.