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suelen ariane trevisan e vejo que todas as demais janelas do mundo estão fechadas milhares de vidros escuros e vazios o meu também é assim e está fechado há apenas um tênue reflexo do buraco negro dos olhos que logo some na fumaça quente expirada uma raiva de anos fracassados - todos todos - faz a cabea inchar inchar inchar ela está quase explodindo e o corpo ainda mole a raiva duplica a moleza quadruplica a corrida antes do salto principal um passo - a perna bambeia o joelho dobra - o segundo custa a vir a segundo custa a passar o segundo sou eu pois o primeiro já se perdeu de vista o arremesso - o vidro contra eu - bam eu me estilhaço o vidro não tá tá tá meus cacos execultam pequenos arremessos de si bipartem-se não parem parem eles param obrigada a viver dentro - fora do mundo - mas vivendo os medos tantas vezes quanto a revolta dividiu-me e cada vez que eu for tomada de furor sofrerei exponencialmente mais do que sofria antes não há arrependimento não há volta |
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