Trancando o passado

A fumaça do ambiente o traz náusea, seu organismo já deveria estar acostumado, mas hoje ele está diferente, no toleraria sequer o cheiro do hambrguer barato do Almeida que outrora comeria sorrindo. "As coisas mudaram"... Ele escreve em um papel como se fosse uma confissão ou uma explição para os fatos que estariam por vir. O serviço já não faz mais sentido quando a regra de ouro quebrada: "não interferir"... Pelo menos o que diziam!
Um dos três já não está no negócio, cuida agora de seu próprio destino. O outro, o único que continua com os planos, ele já não vê a algum tempo, contatos são perigosos nestes tempos, cada vez mais eles estão em todas as partes. Porém ele sabe que se houver complicações os três voltariam a se reunir como antigamente!
Ele esboça um sorriso ao lembrar da ultima missão, um fracasso. Muitos tiros, muitas espadas, muita diversão... Muitas mortes, entretanto, nenhuma baixa entre os três. Pode sentir quase que tangível o prazer que sentira com o tranco de cada disparo, o manejo da espada entre um pente e outro, a face apavorada de todos os 20 perante os 3.
Mas agora os tempos são outros. As cicatrizes do passado se fecharam, está na hora de uma nova vida, um novo futuro. O sino em cima da porta do lugar tintila fracamente, uma face carinhosa toma conta de toda aquela dor que sentira por abandonar o passado, ele olha e sorri, caminha até a entrada, segura na mão da pessoa que o fizera mudar tanto, a beija como sempre, como se fosse a primeira, ou ultima vez.
Ao deixar o lugar ele para, "que houve?", ele se vira, adentra novamente ao recinto, deixa sua espada, seu crach, suas armas e o papel escrito dentro de uma grande sacola de viagem, empurrando esta para debaixo da mesa nove. Sabendo que em menos de dois minutos aquilo não estaria mais ali, ele se vira, atravessa a porta, deixando para traz a morte de um homem sem nome, sem digital, sem existncia, somente dizendo "Nada, Nunca houve nada".



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