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Recibo
Tarcila Ignácio Na sala de espera. As conversas paralelas e hipocondríacas de alguns; o silêncio aterrador e constrangido dos outros. As crianças fazem de tudo para chamar a atenção. Seus pais as repreendem: - Seja como aquele ali... Veja como ele é quietinho... Expressões vazias. Olhares perdidos. Morte silenciosa. A espera. Uma longa espera. Não mais pela hora da consulta ou pelo médico, mas pelo momento em que se possa sentir um pouco de vida, uma pequena e vã esperança. Good guy, now it's your turn. A enfermeira chama. O peso está bom. A pressão está baixa. E daí? A espera continua. O terror aumenta de forma gradual ante a indiferença. Medo. Medo constante. Fogo da coragem, my dear. Quem dera eu tivesse o fogo da coragem em mim. Tens a força de um leão, sabias disso? O tempo não pára, não pára... Ele me diz. E repete. Repete. Até que o som de sua voz se esvai. Me dá tua mão. Tua boca. Teu beijo. O tempo não pára. E todo tempo do mundo não seria o bastante. Até breve. |