Belisa
Verônica Lemus

"Quem é aquele que te escuta? Quem é aquele que te persegue?"

O vampiro espião.
Esta é a minha condição.
Oh, minha bela! Bela... Belisa!
Por que não me aceita como sou, minha criança?
Por que choras quando digo que te quero?
É o medo? É o receio?
Por favor, venha até mim.
Apenas te trarei a paz e o descanso eterno.
Eu sou eterno.
Venha até mim, minha loira, meu sonho, minha fúria.
Venha, e eu te darei o sangue que anseias.
Sim, é o que queres. Não negue.
Não minta! Não fuja!
Simplesmente, é impossível.
Não pode porque não queres.
Não pode porque ME queres!
Como é difícil te olhar, encarar teus olhos, tão claros... Tão suaves...
Mas tão perversos e totalmente humanos!
A expressão em teu rosto é indecifrável...
Até mesmo para um ser como eu!
A serenidade que te envolve seria capaz de condenar todos os pecadores
E tua luz, minha bela, seria capaz de queimar os olhos mais profundos;
Seria capaz de ofuscar a própria luz de Deus. (Mesmo que Deus nada tenha a ver com isso!)
Desculpe-me se estou te assustando,
Desculpe-me se o que eu procuro é algum conforto para minha (tua?) solidão.
Minha criança, não se preocupe.
Eu cuidarei de nós.
Seremos duas almas apaixonadas pelo mesmo prazer,
Encontraremos na morte um sentido para tudo o que nos cerca, para tudo que nos aprisiona. (E o destruiremos).
Seremos duas criaturas da noite brincando com as leis de Deus.
Meu amor ouça minhas palavras, atenda ao meu chamado,
Erga-se deste seu túmulo que insistes em chamar de vida.
Abra teus olhos para a verdade.
Abra teus braços para meu abraço.
Entregue sua vida para a eternidade...
E dê-me teu sangue, para a minha felicidade.