Dia sem sol e sem chuva depois do Apocalipse

William De Lucca Martinez

Olhar pro chão
E ver.
Sentir e ser menor que tudo.
Poder voar sem ter asas e ser maior que o mundo.
As coisas são assim.
Os bons morrem primeiro.
Mas todo mundo morre.
E todo mundo chora
E todo mundo ri.

As coisas são assim.
As coisas vão e vem. São assim.
Como quem louva sem saber pra que
Olho por céu e vejo o que não sei que vejo.

Queria que hoje fosse domingo.
Sentar no nada da praça
Sentar
E ver.

Penso no que pode acontecer comigo.
Mas sei que nada acontece. Nunca.

Penso.
E sou.
Feliz é aquele que não o faz.

Este poema é uma homenagem póstuma a Darlan Dotto. Descansa em paz meu amigo.

William é um cara comum, triste e decepcionado com a vida. Apesar disso, junta as tralhas, e toca em frente. Ele está cansado de tudo. Mas espera que a tempestade passe. A bonança sempre vem.