Covardia

Thalita da Silva Coelho

_Não posso olhar.
_Olhe.-sussurrou a garota no ouvido da amiga - É ele. E está tão diferente!
Meus olhos formigaram, quizera eu que fosse devido a meu grau forte. Mas eu nem ao menos estava usando óculos.
_Olhe! Deixe de ser medrosa!-ela empurrou a amiga, descontrolada, era um tanto escandalosa, e parecia angustiada com a covardia que a moça ao seu lado demonstrava.
Realmente é isso.
Covardia.
Eu, sou uma covarde.
Eu pude sentir meu rosto se virando contra minha vontade...
"Não rosto, não faça isso!"
Olhei.
Estava mesmo tão mudado... pensei que jamais fosse vê-lo novamente... aquele homem jovem que eu tanto amara, e amava... pensei que talvez ele estivesse feliz e alegre. Namorando talvez.
Mas eu conheço-o por inteiro.
Sei quando mente.
E sei quando finge.
As lágrimas teimosas rolaram por meu rosto. Queria poder tê-las contido. Maldita é essa minha fraqueza absurda.
E tudo ficou ainda mais melancólico, quando o castanho de seus olhos encararam-me. Jamais me esquecerei de quando ele me fitou.
Havia terror em seu olhar, um misto de prazer e emoção, com angústia... com medo.
Não pensei que a vida pudesse ser tão emocionante. Não lembrava-me mais de minha amiga, a minha amiga tão querida ao meu lado, quando ele finalmente se aproximou de mim, e encarou-me, por alguns segundos, em silêncio.
E da mesma maneira, fez aquilo que fizera-me sentir vontade de gritar ao mundo que o amava.
Beijou-me com seu lábios macios, com aquela boca, que eu jamais esqueceria o beijo, aquele cheiro que jamais saíra de minha roupa, aquele mesmo amor que a dois anos havia adormecido.
Para mim, um beijo é um começo.
E não uma despedida, como assim vieram me falar.

Baseado em fatos que ocorreram, e alguns que eu gostaria que ocorressem, a uma pessoa que muito amei, e que sabe realmente quem é. Quero que saibas apenas que minha esperança adormece, e assim permanecerá se o grito de alerta não for ouvido...