Parte I de III
"O Cheiro esta tão bom"...
Disse o elfo pensativo, caminhando lentamente pela sala até a janela. Durante muito tempo permaneceu de pé em frente á luz fraca e á torrente de ventos da rua. Ele observara os móveis da sala mais claramente, a mesa de carvalho redonda, as cadeiras. Numa das paredes, uma bacia pendia sob um espelho. Sentou-se apoiando com o cotovelo na mesma e a mão em sua face, minutos se seguiram, ele apenas a contemplava... Como era bela...
"Em breve nosso jantar estará pronto meu amor".
Era uma bela elfa que trajava roupas simples, tinha o aspecto de uma criança, apesar de já ser uma elfa adulta. A pele delicada, branca como a luz da lua. Seu busto, apesar de pequeno era maravilhosamente moldado pela blusa, e seus quadris, apesar de estreitos, davam á saia comprida e empoeirada uma angulosidade sensual.
Ambos viviam num pequeno vilarejo de não mais que dez casas, tinham tudo o que precisavam para sobreviver. Ele um antigo mercenário que já se cansara de tantas aventuras, apenas queria o sossego de uma vida ao lado de sua amada. Ela uma antiga meretriz tivera seu sonho realizado, ao encontrar um elfo que a amava e a que tirara de uma vida tão amarga.
A noite estava magnificamente sobrenatural com nenhuma nuvem ao céu para assim poder-se ver as belas estrelas que enfeitavam aquela noite, a lua ao qual iluminava as ruas estava cheia de um branco pálido como as escamas de um dragão branco. As ruas estavam vazias, todos já estavam no conforto de seus lares, não podiam suspeitar o mal que o vento soprava naquela noite.
Guldar aproximou-se da colina, olhou para baixo e sorriu expondo os afiados dentes amarelos. Sua armadura de couro negro, ferida pelas inúmeras batalhas, absorvia os raios da lua como um pequeno buraco negro. Quem olhasse de baixo, de dentro do vilarejo, veria nada mais nada menos que uma que uma silhueta negra e massiva recortando o globo prateado como uma cicatriz na pele de um vampiro.
"É uma vila pequena" - pensou consigo mesmo. - "nenhuma defesa, a conquista vai ser fácil".
Deslizou a mão ao peito onde estava seu colar de dentes de criaturas que ele mesmo matara, virando brutamente o olhar para seus companheiros, era um grupo pequeno de seis homens, mas com aspecto e imponência que colocaria medo até mesmo no mais corajoso paladino.
Todos voltaram o olhar para pequena vila, e com um gesto dos dedos sujos de sangue de Guldar seus homens adentraram mata adentro, silenciosos como lobos ao atacar sua presa. Espreitavam por entre as árvores a passos leves, em poucos segundos já estava as portas do pequeno vilarejo.
As casas eram de madeira, ao todo constituíam oito casas a frente de uma rua principal, havia uma casa maior que certamente servia de estalagem para viajantes que passarem por ali, ao fundo havia uma bela plantação e um pequeno cercado com porcos e galinhas.
Guldar vinha logo atrás de seus companheiros, todos já estavam com suas armas nas mãos, sorrateiros ficam parados e observando, esperando que a luz do ultimo lampião fosse apagada.
A comida que Eldar se alimentou hoje esta magnífica, a mesa estava farta com legumes que ele e sua bela esposa haviam plantado, um majestoso porco assado e o velho vinho elfico que tinha comprado de uma caravana de hobbits que havia passado ali dias antes. Griceise tinha modos de uma princesa a mesa, comia delicadamente, tudo estava perfeito.
Enquanto ceava Eldar fitava sua esposa, lembrava que fora sempre apaixonado por ela, não demorou muito logo estavam se beijando, a mão do elfo deslizava ao corpo de sua amada, ela tinha pele delicada como uma pétala de rosa, aos poucos tirava as peças de sua roupa. Com cuidado desfez os laços da blusa deixando os seios a mostra estes eram pequenos mas roliços e firmes, ela não resistia ao toque de seu marido, Griceise respirava ofegante.
Todas as noites essa cena se repetia, a muito ambos queriam ter filhos, mas por motivos que nem Eldar ou Griceise sabiam os deuses ainda não haviam lhe agraciado com tamanha dádiva.
Eldar tomou sua bela esposa aos braços e com passos leves ia conduzindo-a até sua cama, a deitou apenas observando seus belos olhos que denunciava o amor de um para o outro. Nada mais podia perturbar ambos, tudo o que acontecia alheiamente não era de interesse, não mais escutavam o barulho das chamas que consumia as casas vizinhas ou o grito de dor da mulher que corria ao lado estavam envoltos a luxuria e prazer e quando Eldar se deu conta do que realmente estava acontecendo já era tarde demais.
Guldar estava parado a frente da porta do quarto do casal de elfos, alto, forte, impiedoso com apenas um saque de sua grande bastarda já porá esta entre o casal.
"O que vai fazer,huh, elfo?"
O Homem sorria enquanto se aproximava do elfo. A espada roçando levemente o pescoço da elfa como a mão de um amante.
Eldar olhava fixo para os olhos amarelados do bárbaro. Há quantos tempo não enfrentava alguém? Sete... Talvez oito anos? Mesmo assim o encarava, esboçada ódio em seu olhar, não podia deixar que esposa caísse nas mão de criatura tão vil. Por um instante o pânico passou como uma sombra pelos olhos de Eldar. Uma pequena fração de segundo em que o ex-mercenário perdeu o controle e desconcentrou-se da batalha eminente. Olhava fixo para seu oponente e a Griceise que o grande bárbaro apontava sua afiada espada ainda manchada de sangue dos inocentes de sua aldeia.
Um clarão explodiu á sua frente quando o punho fechado e duro como uma rocha de Guldar atingiu o lado direito de seu rosto. Seu corpo foi ao chão com um baque surdo e por um instante tudo ficou negro. Em seguida foi a bota do homem que atingiu o estômago de Eldar. Duas costelas se partiram, rasgando o que havia pelo caminho. Seu corpo inteiro doía. Sentia-se um estúpido. Griceise caiu aos prantos, lágrimas incessantes escorriam de seus olhos, ela se jogou em cima do algoz de seu marido, mas com apenas um empurrão de Guldar foi mais que o suficiente para ela ser jogada contra parece, sua visão se tornou turva e sua cabeça doía muito, ela levou a mão até sua fronte... estava sangrando, a dor impedia que se levantasse e tentasse mais alguma reação.
Eldar pensou em aproveitar o leve momento de distração feito por sua amada, mas o simples pensamento provocou um espasmo de dor tão forte que o fez mudar de idéia, precisava ganhar tempo. Precisava se recuperar. Com dificuldades enconstou-se na parede. Afastou a dor e concentrou-se apenas no homem a sua frente. Esboçou um sorriso e tomou fôlego. Podia sentir as duas costelas partidas se movendo enquanto os pulmões enchiam de ar. Com um pulo tentou-se agarrar na espada do Bárbaro para assim toma-la, mas foi em vão, Guldar não era um tolo e com um girar de sua espada ao qual sabia manejar tão bem desferiu um golpe certeiro e fatal.
O barulho da lamina penetrando fundo no peito de Eldar seguido de um espasmo de dor, seus braços começaram a fraquejar, e o elfo tomba ao chão. Guldar olha impiedosamente para o elfo aos seus pés e uma risada medonha rola por sua garganta, o homem levanta sua espada e a enterra mais uma vez no peito daquele que um dia foi um grande mercenário.
Griceise estava no canto do quarto não conseguindo se mover, estava paralisada pelo medo e pela dor, vira seu próprio amado sendo morto a sua frente e ela nada podia fazer. O Grande bárbaro se vira para ela lambendo os lábios freneticamente, ela sente um calafrio percorrer seu corpo tinha vontade de morrer. Guldar se aproximava cada vez mais da bela elfa a sua frente, como aquela noite estava perfeita não podia imaginar que encontraria tamanho troféu aos seus pés pronta a ser consumida, e saciar seu prazer mais mórbido.
Realmente aquela era uma bela noite... a lua cheia com seu belo esplendor era única testemunha da vila que ardia em chamas e do grito de dor que ecoava pela noite.
...continua...