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Puro como o sangue

André Luiz Maia Bordin

Quando vemos que a realidade já é cruel o bastante, não vimos tudo ainda, sendo que somente Ele poderia ter uma mente tão pervertida e deturpada a ponto de construir tantos seres insanos como são os humanos...

Morgana, aos seus 10 anos tinha somente uma boneca, um semblante depressivo, mais ao mesmo tempo, inocente e uma imaginação que a levava aos lugares mais lindos e puros que os contos que sua vó proclamava a podia levar...

Porem, Alfred, seu pai, sempre teve seu lado humano mais aflorado, uma raiva o percorria por dentro... Por que aquele ser, sentado ali no sofá, tinha que ter levado sua esposa a morte, por que os médicos não amputaram as vísceras daquela coisa quando desconfiaram que poderia colocar a vida de sua amada esposa em risco...

Os deuses, em seus tronos maléficos pensam em tudo, até como, a partir de uma bebida, fazer um ser que, por natureza já é hediondo, se tornar quase que uma divindade do mal, uma arma feita para obedecer somente instintos doentios.

Morgana sente a mão gelada de Alfred rasgar suas vestes, aonde havia inocência, agora reina o medo e o ódio, suas mãos tremem, pode-se ver o nojo em sua alma como se fosse algo tangível, aonde deveria haver gritos, Houve-se risadas, vê-se o reflexo de uma pureza extinguida, e por fim escuta-se um baque surdo.

As únicas testemunhas são as estatuas, caladas pela piedade de uma menina, que acanhada como um bicho, se defendeu cravando as unhas na artéria do pescoço de seu pai. Ela não entende o que é aquilo que escorre por entre seus dedos, uma coisa vermelha e viscosa. A ultima coisa que ela faz antes de se jogar para o abismo da loucura, é dar um beijo em sua pequena boneca e dar uma grande e gostosa gargalhada diante do corpo de um fraco, que pereceu através de suas mãos!

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