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Nascestes guri, menino pobre.
Vida humilde, sofrida.
Desde cedo pelejando,
Dando de relho na vida.
Dividindo tudo, do pão as roupas...
Remendadas pela mãe; boa parideira,
Lavadeira, cozinheira, doméstica.
Uma guerreira.Juntava todos a mesa
Servia um pão maravilhoso,
Feito por mãos calejadas
Tu em tua utopia inocente,
Juvenil, cresceu saudável; brincou
Solto, jogou futebol.Bola feita de meias velhas,
Pés descalços, desprotegidos...desprovidos
Carregas marcas ainda hoje.
Entre uma partida de futebol,
Um pátio para limpar, tijolos para carregar,
Trouxa de roupa para entregar
Uns trocados a ganhar,
Teus cadernos e livros.
Tu que não nasceu privilegiado,
Teu berço não era de ouro, sofreu agressões;
Da vida, dos teus progenitores.
Por ignorância eles sempre o fazem
Na ância de tentar fazer o melhor.
Tu que muita surra no corpo levaste,
Uma ou outra tu mereceu, que diga teu pai
Com as cabeças de alho arrancadas
Guri! , moleque levado,sorridente e maroto
Volta e meia à vida até hoje te surra
Os anos passando, tua infância ficando para trás.
O dever te chamando, a batalha para teu próprio sustento,
Gritando dentro de ti feito quero-quero na cochilia
Na lembrança o canto dos pássaros que corrias atrás
Tu que ainda na adolescência te tornasses homem;
Trabalhador, responsável, honesto, digno...
Querias mais.Teus filhos vieram
Responsabilidades redobradas, mas tu és um guerreiro,
Não desanimas, estrada à fora...
De galho em galho feito passarinho buscando sustento
Tu hoje homem feito, não andas mais descalço, não jogas.
Futebol com bola de meias, não entregas trouxas de roupa.
Com luta e suor venceu batalhas, conquistou teu lugar.
É sem dúvida um profissional excelente,
Pai e amigo admirável
O tempo passou; teus cabelos caíram, embranqueceram.
Mas tu conservas em ti, jeito de "guri", menino levado,
Brincalhão, levando a vida a tua maneira.
Preservas essência; nobre, sensível.
Em meio a grandes turbulências.
Encantas-te com o canto dos pássaros.
(dedico esse poema ao pai dos meus filhos)
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