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No alto das colinas e muito distante, onde o vermelho e o laranja se tornavam
azul, uma coroa de flores, em roupas simples de tecido branco.
Ajoelha-te perante a minha presença
E receba está dádiva, não com orgulho nem arrogância,
Mas com honra e com consciência.
Não por mim, mas por quem tu amas e por quem te ama,
Teu juramento será teu laço de sangue.
Beija a lâmina da espada que trás justiça.
Tu, que não presentearam com a graça da nobreza,
Mas com o dom do bom coração.
Nesse momento, assume tua responsabilidade.
Com esse título, vos dou a liberdade que mereces,
A partir de hoje, teu título por direito,
Faça valer o presente que vos dei.
Não somos iguais ou diferentes,
Não somos prisioneiros ou escravos um do outro,
Somos apenas pessoas, com semelhanças e discórdias.
A rainha de gelo andou pelo círculo de cravos brancos lentamente e encarou
aquele que se encontrava ajoelhado a sua frente. Ela retirou os sapatos delicados
e andou descalça até o altar. Ajoelhou-se lentamente, rezou e então pegou a espada
embrulhada em panos brancos que se encontrava a sua frente. Andou novamente até o
centro do círculo onde um homem esperava ainda ajoelhado. Ela então caiu de joelhos
na grama úmida tocou a face do jovem e sorriu.
- Toma tua espada - ela disse ainda sorrindo.
- Não sou digno dela, minha rainha.
- Se nós mesmos escolhêssemos, não seríamos dignos de nada nesse mundo. Se fossemos
analisar cada defeito, tudo deixaria de valer a pena.
- Mesmo assim, não sei se posso aceitar o título.
- Não foi tua a escolha, mas tuas habilidades fizeram com que vos escolhesse,
então, aceitarás. Sei que desejas este título desde muito tempo. - a rainha abriu
um grande sorriso e em seguida seu rosto se enrijeceu.
Lentamente, a rainha de gelo se levantou. O vento cortava o rosto da menina-mulher,
mas ela parecia não perceber. Aos poucos se levantou por completo e retirou a espada
dos panos brancos. Era uma espada de guerreiro, forjada especialmente para aquele
a quem ela pertenceria.
- Eu, que governo de norte ao sul. Eu, a soberana dos reinos dos ventos cortantes
e dona da justiça agora nomeio esse que eu julgo honrado de receber minha benção.
Por onde passar aclamaram teu nome. Agora, te nomeio cavaleiro.
As lágrimas caíram dos olhos do agora nomeado cavaleiro.
- Agora, Cavaleiro cinzento. Quero que vá. Vá para os braços daquela que ama.
Quando ela estiver em perigo, proteja-a como se protegesse sua vida.
- Mas e a minha rainha, como fica?
- Eu sou como o vento. Ficarei bem, mas... Desejo ficar sozinha por algum tempo.
Preciso... Encontrar a pessoa só para mim.
- Minha rainha... Ele existe?
- Não sei. Mas pretendo descobrir.
A rainha andou até a arvore perto dali, calçou os sapatos e com apenas um livro
e uma bolsa subiu no cavalo branco.
- Cavaleiro... Desejo uma promessa sua.
- Como desejar, minha dama.
- Prometa que toda vez que ouvir minha voz a cantar uma melodia seguirá minha
voz até me encontrar-me.
- Prometo. E sempre que uma luz bater no vidro fosco, e o mesmo brilhar... Lembrarei
que minha divida com minha senhora é eterna.
A rainha deu um último sorriso e então cavalgou. O cavaleiro permaneceu lá até
que o horizonte desaparecesse com a rainha de gelo. E até hoje, ele não sabe, e
jamais soube o que aconteceu com sua rainha. Lutou batalhas por sua amada, por seus
filhos e defendeu sua honra, mas nunca mais ouviu falar daquela que um dia lhe deu
o título de cavaleiro. A espada permanece pendurada na parede da sala, esperando
pelo chamado de sua protegida.
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