
Chovia
Era uma daquelas chuvas finas acompanhadas de vento cortante.
Ele estava sobre a sacada do oitavo andar. Observava o trânsito.
podia sentir o cheiro dela a quilômetros de distância. Aquela mesma fragrância. Mas ela estava perto. Muito perto. Poderia dizer até que ela...
Vira-se. Com a coronha da arma ele desvia a lâmina.
Ela estava ali. Trajava negro. Rosto pálido. Seus Olhos lentamente borravam com a chuva.
Sua expressão não era das melhores. Mordia nervosamente o lábio inferior.
___Porque espiona?
___Porque lhe interessaria?
Ela recolhe a katana. Anda lentamente pra trás com as mãos próximas a bainha.
___O que quer em nossa casa?
___Negócios.
___Retire-se. nenhum...
___Poupe-me de suas tradições tolas.
O vento aumenta. Ela olha rapidamente para o lado.
___Último alerta. Se você não...
Ao voltar a cabeça ela observa que ela não está mais lá. Sente uma respiração quente em sua nuca. Percorrera toda aquela distância em poucos segundos...
___Não me de ordens doce criança...
Ele beija lentamente sua orelha e ela como que hipnotizada fecha os olhos e suspira demoradamente. Ao abri-los vê que se encontra sozinha. Olha ao redor. Se fora novamente. Exatamente como das outras vezes. Mas dessa vez sabia pra onde ele iria.
Estava quase tocando o objeto. Não fazia a menor ideia do porque ele fora mandado ali, mas foi facílimo passar por todos aqueles estúpidos seguranças. Quem realmente oferecia perigo estava na festa no último andar naquele momento. Ou quase todos...
Virou-se, mas era tarde. A lâmina rasgara-lhe profundamente do ventre ao peito. CAira rolando pelo piso de pedra. Salta rapidamente pra trás e num gesto sobrenatural saca as duas armas do coldre apontando-as na direção do vulto que o acertara. Seu odor estava mais forte do que de costume.
___Você foi avisado!
Talvez alguns tons cítricos...
___É impossível me manter longe de você...
___Guarde suas palavras doces aos vermes. eles terão muito tempo para ouvi-las.
Um pouco de madeira...
___Porque tão irritada, bela dama?
___Porque faz-me de tola sempre? Porque faz-me parecer um imbecil perante os outros?
algo de floral, quem sabe...
___Tenho culpa de não resitir a tão afável beleza?
DADOS ROLAM
3 - 3 - 2 - 3 -1 - 1 -1 - 0 -1
A espada passa-lhe muito perto da garganta. Ele ainda tenta virar-se mas recebe um corte em cruz nas costas.
O sangue escorre grosso dos ferimentos. Ele cai sobre um sofá branco e almofadas de cetim.
___Tenho ordens de matar se...
___Então porque não mata?
A expressão dele mudara. Tinha um olhar autoritário nos olhos. ergueu-se com a mão no peito.
___AJOELHE-SE!
Ela obedeceu sem questionar. Caiu prostrada, a espada foi a um canto.
Ele aproximou-se dela que ainda estava paralizada. Mal podia olhar para ele.
Ele ajoelho-se com dificuldade em frente a ela. Ergueu grosseiramente seu rosto e beijou-lhe com violência, ao que ela retribiu. Ficaram assim ainda por alguns segundos. Ele ergue-se olhando-a nos olhos. Ela treme. Ele ergue as mão, enquanto passa lentamente as mãos sobtre os lisos cabelos que lhe cobriam o rosto manchado de sangue. Ele vira-se pra ela e sorri. Toma o objeto com as duas mãos.
"Do pó vieste, e ao pó retornarás".
Suas lágrimas pararam de correr apenas muito tempo depois. Demoraram para encontrá-la, deitada ao chão em posição fetal. Chorava e tremia.
Seu mestre ergueu-a delicadamente, aqueles olhos claros iluminados pelas luzes dos corredores. Acarinhou-a ternamente, retirando parte da fuligem espessa que cobria seus cabelos e rosto.
Ela passa lentamente a língua pelos lábios e os dois furos mínimos se cicatrizam de pronto. Ela sorri. E adormece.
Ele está sobre um prédio, no oitavo andar. Observa a cidade a sua procura. Ele tem um cheiro característico que não saberia explicar. Mas poderia sentí-lo a distância.
Ela larga a espada e desce devagar as escadas com um sorriso aos lábios.
___Onde vai?
Ela vira-se para o sentinela.
___Sei lá.
A noite estava particularmente fria na estação de trem.
Vulgo FErio
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escreve o conto tosko "Merda no ventilador" em
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Trabalha na Biblioteca da Univali. Não vende o corpo, nas horas
vagas. Ainda.