Arlequim


Máscara, mascherata, masquerade,
 ponha sua máscara e não se atrase.
Não que o coelho branco se intimide,
 mas seu relógio está sempre no "quase".
Eu sou o valete, o ás, o tolo e o bufão
 ou talvez como mr. Hyde, mera abominação.
Bem-aventurados os loucos e os psicóticos
pois herdarão o reino do loucos.

Início de abril, desfalecer de outubro,
 a data não era uma lembrança precisa,
pois é nestas quinzenas, se bem me lembro
 que o caos mais profundamente se enraiza
na frágil mente do ser humano
 seja ele um lorde bretão ou veneziano
desenterrando de tempos idos os velhos temores
despindo o casto e o pudico de seus pudores.

Pois assim acometido foi o nosso nobre Amadeu
 sujeito resoluto e de maneiras gentis
era companheiro de carteado dum judeu
 e frequentador de várias casas mercantis
não tinha esposa ou família
 seu apartamento continha pouca mobília,
na geladeira algumas gramas de presunto e chester,
e na cabeceira Os Sofrimentos do Jovem Werther.

Nunca lera a genialidade de Shakespeare,
 mas deixara a jornada de Bilbo incompleta em Rivendel,
não era adepto de nada que se exagere,
 embora se encantasse com o dedilhar de um bom menestrel,
ouvia Bethoven e Mozart em sua totalidade
 mas Bach lhe era tal qual severa enfermidade
pois apreciava-se da boa música,
de suaves romances e ficção científica.

Despertou então Amadeu pouco transtornado,
 em sua mente uma míriade de pensamentos,
o lançavam do depressivo ao enamorado,
 assolado por espasmos e tremores violentos
via a sua frente fadas e demônios
 e centenas de donzelas que lhe propunham matrimônio
desde as américas até a Birmânia,
mas sagrou-se amante da rainha Titânia.

Armou-se de sua bengala de madeira branca,
 um longo sobretudo e um cachecol de franjas
e tal qual figura saltimbanca,
 arremessando ao ar meia dúzia de laranjas
brincava e divertia-se de sua incoerência
 que injustimente foi de breve existência
pois a inquilina, certa de sua recaída,
mandou vestirem-lhe uma camisa de mangas compridas.

Jefferson Seide Molléri

Jefferson Seide Molléri, é escritor de horas vagas, e leitor compulsivo além de jogador de RPG. Suas preferência literárias incluem de Tolkien a Goethe e embora curta o som do Helloween, aprecia o clássico com igual magnitude. É um pouco maníaco-depressivo, e um tanto excêntrico, mas gosta da idéia de ser diferente das outras pessoas. Publica suas insanidades em seu blog pessoal Caindo... e mantém um conto períodico n'os Cavaleiros do Reino do Horizonte.

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