
Cinco anos de idade, e ainda lembro muito bem daquele dia, 26 de abril de 1986, minha mãe me levará para fazer alguns exames após o incidente da usina. Morávamos em um vilarejo nos arredores de Chernobyl. A nuvem radioativa expelida após a explosão do reator número quatro, fez milhares de vítimas, entre elas este que escreve este diário, por algum motivo não desenvolvi nenhuma espécie de tumor ou doença, muito comum no contato de seres vivos com a radiação, mas sofri alguma espécie de mutação. Onde adquiri a capacidade de ler o pensamento das pessoas em que tocasse.
Este dom, ou melhor, esta maldição, levou minha mãe a me levar às autoridades que estavam prestando auxilio as vitimas da catástrofe. Claro que no começo duvidaram que um garotinho pudesse desenvolver tal habilidade após ser atingido por radiação, mas minha mãe insistiu que podia ser um sinal de algum tumor, e que os médicos investigassem meu caso.
As notícias sobre o meu caso correram rápido, não entre os veículos de comunicação, mas entre as autoridades ucranianas, e conseqüente ao ouvido dos militares. Que prontamente ofereceram por financiar o tratamento deste meu possível tumor, que a minha mãe tanto se preocupou. Eu sei que a maioria das mães faria qualquer coisa para salvar a vida de um filho, mas eu preferia que a minha não tivesse feito nada. Fui levado a uma base militar, onde receberia tratamento. Ou melhor, treinamento, para que eu desenvolvesse minhas capacidades de leitura do pensamento alheio.
No começo parecia uma grande brincadeira, mas fui sendo instruído para me tornar uma arma nas mãos dos militares ucranianos. No começo da adolescência, me recusei a ler a mente das pessoas, pois achava que entrar na mente dos outros era uma violência tão grande quanto um estupro.
E os malditos trouxeram minha mãe para minha base, assim que toquei nela em um inocente e saudoso abraço, fui invadido por suas memórias. Deus sabe, o quanto eu passei a odiar os militares a partir daquele momento, mas também sabe o quanto eu amo minha mãe, e para que ela não sofresse novamente, resolvi cooperar.
Perdi o número de quantas pessoas foram vitimas do toque de minhas mãos e de quantas bases militares estive morando, nestes últimos anos de minha miserável existência. Tudo em nome dos interesses da pátria, como nunca se cansam de me dizer, malditos militares.
Antônio José de MelloPublicitário e Assessor de Comunicação; Fã e colecionador de histórias em quadrinhos, (mangás e comics); Fã de animação, principalmente a japonesa (animês); Desenha, ou pelo menos tenta; Adora cozinhar; Joga e mestra RPG (Role-Play Game); Ama muito a Cissa-chan e sua família; Etc.
- Blog: vidadeotaku.blogger.com.br
- Fotolog: www.fotolog.net/cissa_e_tonex