Um Olhar

Nem ao menos, um sorriso...
Apenas um olhar, frio, comprometedor.
Era apenas esquisito, depois de um ano,estava ela parada na rua, o
tempo chuvoso, olhando pra ele caminhando em sua direção. Sentiu algo
diferente de tudo que achava que sentiria.
Sem amor ou paixão.
Nem ódio, muito menos tristeza.
Desespero, por não poder parar e conversar, ter que olhá-lo caminhar
até ela com a expressão nada amigável, e sim assustada, sem poder
dizer um "oi", sem poder sorrir...
Seu pai estava mais a frente olhando para os lados, esperando que o
movimento dos carros se amenizasse, para que eles pudessem atravessar
a rua com calma, até o carro que estava do outro lado.
Mas ela se esquecera disso tudo, quando viu aquele que era o único que
jamais esperava ver naquele dia, caminhando ao seu encontro, tão
diferente de quando ela o vira pela primeira vez, tão melancólico... E
mesmo assim, ele era aquele quem ela amara.
Nem ao menos uma reação esquisita, apenas parou no meio da calçada, e
encarou-o por alguns segundos, longos e dolorosos segundos... Era como
encarar seu passado, e sentir toda a dor que sentira
novamente, era como sentir o prazer que sentira, novamente, era como
sentir todo o amor que sentira...
Novamente...
Então, ao perceber que seu pai caminhava para o outro lado da rua,
dirigiu seu olhar para frente, e tentou disfarçar, caminhou atrás de
seu pai, e entrou no carro, silenciosa, pálida.
Então, quando, o carro passou por ele, que caminhava com passos
rápidos, com uma aparência nervosa, ela o viu passar, e virou a cabeça
quando percebeu que passava por ele, deixando-o para trás.
Inclinou-se, para tentar enxergá-lo, e então entendeu.
Talvez fosse isso mesmo, ela teria que seguir, e esquecer tudo... Não
esquecer os melhores momentos que passara ao seu lado, mas sim
continuar andando, o passado não volta, a vida não volta para trás...
as esperanças que antes ela cultivava, agora estavam esgotadas, tudo
não passava de uma lembrança gostosa.
Ao vê-lo caminhar, e ver o carro passar a sua frente, ela percebeu.
E virou-se para frente, com os olhos verdes,frios, fitando a rua
movimentada, e a chuva fina que caía na rua.
Agora sim, acabara...

Thalita da Silva Coelho
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