Sopros d'Alma

Olho pela janela vejo a chuva. Dentro de casa em frente ao computador muito friu. Dentro de mim, vontade, ânsia de sentir meu íntimo aquecido outra vez. Viajo em "sites", devaneios em pensamentos. Acendo mais um cigarro que queima e se esvai em fumaça, espalhando meus desejos. Um suspiro, quantos mais? sento, levanto...e assim fico, inquieta o que sinto quer saltar para fora, também quero sair pela janela, mundo à fora. Entre um "site" e outro, um "chat", entro, saio, entro mais um vez e quando ja estou mais uma vez de saída. Pois hoje meu nome é inquietude. Ele chega, trocamos algumas tecladas, mas sua nacionalidade quase me fez fugir em desabalada carreira. Resisto alguns minutos. Depois permito, não sei ao certo porque, naquele momento nem me importo. Mansamente ele se faz presente e prende minha atenção. Imediatamente saio dos "sites" e "chats", fico apenas com ele que faz toda a diferença, da mesmice de perguntinhas cretinas, dos tarados de plantão. Não me pergunta se tenho "Webcan", como estou vestida, minhas medidas tanto faz. Eu sim quero ver seu rosto meio que para ter certeza de que ele não vai cometer os mesmos erros de outros. Chuva e frio continuam castigando, mãos geladas, íntimo sendo aquecido. Quero mais. Onde estás? que agora não te vejo "online", espero e nada, por fim adormeço. Mais um dia chega, anciedade total. O dia se arrasta, chega a noite e nada. De repente ele chega, conectamos um ao outro dentro de mim alguma coisa explode. Poucas palavras mas precisas. Quero sair da minha dor, me prendo nele, num minuto atravesso oceano. Queria estar com ele. Recebo um vídeo, um beijo, (que beijo!), linguas entrelaçando-se, lambendo, chupando uma a outra. Embriagante cena, arrepio pelo corpo, quase posso sentir aquele beijo. Mais um cigarro, uma tragada, solto a fumaça no ar junto meus delírios, pensamentos, sentimentos, desejos concentrados e devaneantes... dispersando. Ele precisa ir. A diferença de fuso horário fazendo-se presente e pesando sobre mim. Eu ainda não tenho sono, estou ocupada comigo mesma, preenchida com a presença dele. Altas horas uma sensação boa invadindo meu ser, sensações esquecidas por momentos de pura dor. Onde só sabia doer agora sinto como um sopro de vida. Na bagagem experiências vividas, sentidas, os pés plantados no chão, mas nem por isso os proíbo de saltos.

Alegna (Angel)
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