sexta-feira, 21 de maio de 2004. Edição II

Claustro


Mármore iluminada pelo sol
reflete não mais o que penso
gotas claras escorrem lentamente
tão transparentes quanto minha saudade
um rosto, surge em névoas em minhas lembranças
estruturadas de forma doentia
minha mente entrando em colapso.
O sol não nasceu hoje.
Nuvens como algemas me recluindo a escuridão
aquele sorriso bastava pra iluminar meu mundo
e aquele olhar refazia-me.
Queria tocar novamente aquela pele
trançava sonhos em suas linhas
percorria-lhe os contornos com os lábios
que de tão imaculados sentiam apenas culpa
mas de que valeram, estúpidos sonhos sem sentido.
Posso ver o púrpura me cobrindo lentamente
anestesiando corpo e alma, vagarosamente sucumbindo...
e lentamente matando um amor tão integral que não pôde existir em plena realidade.

Rodrigo de Barros
e
Francine Blasius

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