sexta-feira, 21 de maio de 2004. Edição II

Apenas um sonho

Vago sem rumo em meio a rios de fogo. Tropeço, caio, me levanto e lembro.... dela...

Deus, tal ser não deveria existir! Como, eu me pergunto, como? O que fizeste comigo? Pq? Não bastaram todas as dores, não bastaram os mares de sangue e lágrimas? Eu ainda mereço mais?

Caminho entre os chacais e penso se não seria mais fácil deixar-me levar por essa arrebatadora paixão.... mas não! Não depois de tudo, não de novo... Mas as coincidências nunca acabam.... cada momento é como uma eternidade de alegrias, cada sorriso faz tremer as estruturas da minha alma....

Escalo uma montanha de corpos e repito pra mim mesmo q eu já amadureci bastante, q eu não sou mais o mesmo homem q outrora acreditou na pureza das pessoas e q sofreu por isso, q ainda é tempo pra olhar em outra direção por mais atraente q ela seja...

Olho novamente em sua direção, ela está lá... sorrindo com o sorriso q faria o próprio demônio tremer... ela veste as cores da noite (ou talvez seja a própria noite) e dança.... em movimentos ondulantes me convida a ceder a todos os meus pensamentos mais profanos.... e, no entanto, ela parece tão inocente, tão meiga, tão pura.... como uma bela rosa negra colhida dos jardins secretos do inferno.... ela me olha com uma expressão q reúne em si tudo q o pecado pode significar.... e o mero fato de vê-la assim, sorrindo, distraída, quase humana... já é o suficiente para despertar a mais pura cobiça... e fazer rugir a besta a muito aprisionada nos recantos sombrios do meu ser....

Mas é impossível, ninguém é perfeita a tal ponto. Nada em todo o universo está tão em harmonia com tudo q o cerca.... não pode haver alguém q reúna tamanha perfeição de forma tão suave...

Se a vida não fosse cruel, seria apenas beleza... mas não! Apesar de ser linda como nunca antes uma mortal fora, ela tinha de possuir a sabedoria dos séculos e a inteligência da serpente do paraíso. E isso apenas agrava o todo...

Aproximo-me dela, mas por mais próximo q eu esteja sempre parece surreal... sempre inatingível ela permanece... como q se fosse para me avisar q não há nada q eu possa fazer para realmente tê-la.... q por mais íntimos q nós fiquemos, será apenas uma série de momentos efêmeros q passam como uma brisa...

E como um tolo eu tento entendê-la, como se a síntese do universo pudesse ser compreendida, como se os movimentos dos mares do pensamento estivessem disponíveis para q eu os estudasse... No entanto, eu me iludo com a mera possibilidade... e isso me instiga e devora ao mesmo tempo...

Desperto e a realidade cinzenta me sorri. Realmente não poderia ser real, a obra mais sublime do reino do mais belo dos anjos não cruzaria o meu caminho, pois eu não sou merecedor de tamanha dádiva assim como nenhum homem mortal o é. E se fosse real, se o sorriso fosse pra mim, se o olhar q revela mais q mil palavras realmente me tocasse, meu coração não bateria de dor e alegria a cada momento q eu lembrasse de suas palavras... Pois só o maior dos sonhadores acreditaria q é possível tomar em seus braços tão bela criatura e tê-la entregue por completo.

Carlos Eduardo Krambeck de Souza
vulgo Carl, é escritor em raros momentos de inspiração e maníaco em tempo integral. Jogador de rpg a mais de uma década, viciado em leitura e estudioso da mente humana.
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