Depois de anos, o homem conseguiu o que queria. Destruiu a si e ao seu planeta com todos os tipos de guerras possíveis. E o extermínio da vida como conhecemos acabou em uma luta pela última reserva de recursos naturais do planeta. Foi o chamado Fim dos Tempos.
Mas isso foi a muito tempo e agora, passados mais ou menos cem mil anos o planeta reergueu-se, não completamente, mas apenas o suficiente para a sobrevivência das espécies que ali ainda vivem.
Agora não só os humanos são a raça inteligente e dominante do planeta, mas outras raças que estavam esquecidas pelo mundo ergueram-se depois do Fim dos Tempos.
Drakulons: Parecidos fisicamente com os humanos, mas descendentes dos vampiros originais, os Drakulons tem as mesmas características dos vampiros. Força sobre-humana, visão, tato, paladar, audição e olfato super desenvolvidos; poder de se metamorfosear em névoa ou qualquer animal (principalmente os noturnos, como morcegos e lobos) e regenerar qualquer parte do corpo; e capacidades telepáticas e hipnóticas. Mas tem um porém: eles são resistentes a luz do Sol. Não se sabe como os vampiros conseguiram essa incrível proeza almejada desde o início do tempo dos vampiros, mas lendas dizem que foram experiências realizadas pelos próprios homens na época das guerras, pois procuravam um soldado perfeito e imortal. Se é verdade...eles conseguiram.
Eles ainda são imortais, ou quase, mas como sabemos existem muitas fraquezas que podem destruir um vampiro, digo, drakulon. Ainda possuem a sede insaciável de sangue dos seus antepassados, mas adaptados à situação de escassez do mundo podem ficar semanas ou até meses sem precisar ingerir uma só gota de sangue.
Mesmo podendo permanecer expostos a luz do Sol, os drakulons ainda mantém seus hábitos noturnos, e não gostam muito de se expor de dia, sempre existe uma certa prevenção por parte deles.
Os Drakulons estão espalhados pelo mundo todo, mas sua principal concentração fica no grande continente de Amnor, mais precisamente em Bram, batizada pelos humanos como "Cidade de sangue".
Boatos dizem que Drakulons estão estudando uma forma de reprodução entre eles, para não precisar mais transformar humanos. Se esse boato for verdade a situação do planeta ficará interessante. Seres que nascem crescem, se reproduzem...e não morrem. Que Deus nos ajude.
Pyrodrac: "Do fogo nós viemos, e ao fogo nós retornaremos...", esse é um pedaço do grande livro dos Pyrodrac, descendentes diretos dos dragões que habitavam as profundezas quentes do planeta há milhares de anos.
Os Pyrodrac, como toda nova raça é adaptada as novas condições climáticas do planeta, por isso, eles não são gigantescos como seus antepassados dragões; assumiram a forma humanóide, mas ainda assim permanecem enormes, o tamanho médio de um Pyrodrac é de dois metros e meio de altura. Registros em livros humanos falam de Pyrodracs com mais de quatro metros.
Eles têm o corpo coberto por uma forte couraça de répteis e grandes asas, além de uma cauda com três garras em forma de foice, usadas para estraçalhar seus inimigos. Para matar um Pyrodrac é preciso armas muito fortes que não se quebrem na sua pele, é por isso que nunca ouviram registros de Pyrodracs que são transformados em Drakulons: os Drakulons que tentaram ficaram com uma baita dor de dente...
Estes grandes e fortes primos longínquos dos Dragões também estão espalhados pelo mundo, e sua maior concentração está no continente de Amnor, no lugar conhecido como Pyron traduzido da língua antiga dos dragões, e para os humanos "Cidade do Fogo Adormecido".
Homens: Sem mais delongas, a raça que destruiu o planeta e que tenta reerguê-lo, sem muito êxito. Os seres humanos, "verdadeiros" donos do planeta como eles próprios se proclamam.
Desde o Fim dos Tempos os homens perderam seu lugar privilegiado como "donos do mundo", várias raças desconhecidas que se escondiam há milênios aproveitaram o deslize dos homens para tomar seu lugar na pirâmide social do planeta.
Mas tais raças agora não os deixam em paz e vez ou outras pequenos confrontos são travados entre os homens e essas poderosas e impiedosas novas raças. Muito sangue humano já foi derramado e será derramado ainda.
Os homens que não morreram reergueram suas vidas e começaram da estaca zero. Sem nenhuma tecnologia reconstruíram o que ainda restava de suas cidades e até hoje vivem espalhados pelo mundo, tentando arrumá-lo do seu jeito. Com sua força de vontade, e ainda muitos guerreiros poderosos, os homens almejam um jeito de reaver seu velho mundo de volta.
Os seres humanos são em minoria no mundo, mas a sua maior concentração fica no continente de Amnor, no lugar chamado de "Colina da Liberdade".
Existem muitas raças novas que surgiram nesses cem mil anos de evolução e de ressurgimento do planeta. Mas as três dominantes são essas citadas acima. Estas raças evoluíram e passaram a ter lugar de igual e até superior importância no mundo que não mais pertence aos homens. Com isso muitos confrontos por posse de terras - e por que não dizer do planeta? - já foi e será travado, pois nenhum dos três lados dominantes recusa-se a ceder.
Mas a maior batalha a ser vivida por essas três raças começará a partir de agora...
O dia vem chegando ao fim, e como aconteceria numa localidade humana, todos se recolheriam as suas casas e descansariam de um longo e exaustivo dia de trabalho com suas famílias. Mas não estamos em um local normal. Estamos na cidade de Remere , uma das grandes cidades dos Drakulons .
Ele abre o olho. Sente o cheiro forte de sangue no ar que o enjoa. A primeira coisa que vê é uma decoração estranha de seu pequeno quarto quente, está tudo de cabeça pra baixo...não. É ele que está de cabeça pra baixo.
Ele retorna a posição habitual, com os pés no chão e olha em volta, tudo parece normal. A pia da cozinha cheia de louça suja, de sangue? - o que é isso? - Não, não o sangue. O sangue é seu alimento, mas aquela coisa ao lado do sangue...comida humana! É, a noite ontem foi das piores pra chegar a esse ponto. A cama, do lado oposto da pia, bagunçada, e muito, mas muito lixo no chão: papéis, folhas, roupas rasgadas. No meio disso tudo ele procura algo e acha. Uma pequena e quase vazia garrafa de Smirblood .
Ele pega a garrafa e toma, esvazia. Joga de longe tentando acertar a pia, erra, a garrafa se quebra no chão. Ele olha ao redor e vê jogado ao seu lado seu sobretudo preto. Ele veste, tira um pouco do pó e abre a porta, está pronto pra mais uma noite.
A rua é no centro da cidade. Sua pouca iluminação é o suficiente para que vários Drakulons tentem vender de tudo um pouco em tendas montadas na calçada dos dois lados da rua: sangue engarrafado, órgãos humanos, pedaços de animais, humanos vivos, humanos mortos, humanos em pedaços...vivos. O ar está abafado, sem vento algum e o cheiro de carne podre no ar é forte ele ainda enjoado vomita perto de uma das tendas repudiando os Drakulons que estão em volta.
Em seguida ele ergue novamente sua cabeça e anda alguns passos tentando sair daquele meio. Chega próximo a um cruzamento, onde ali são vendidas em tendas outras coisas além de comida viva, morta ou podre, e onde se vendem roupas e outros objetos. Ele vê uma tenda que reconhece e se aproxima. Um sujeito de aparência suja, careca, suado, com um bigode melecado com uma "coisa" vermelha limpa alguns copos. É um bar. O careca o vê e o reconhece de imediato:
- E aí Akuma, que cara é essa? Comeu comida humana de novo?
- Não sei. Não lembro. Me dá aí uma bebida.
O careca, atendente do bar analisa Akuma de cima a baixo. Ele está vestido como sempre, de calças e botas pretas. Um colete preto e um sobretudo meio empoeirado cobrindo isso tudo. Com quase 1,80m. Seus olhos negros levemente puxados e com olheiras mostram um "dia" mal dormido. Seu cabelo está igual, curto e descabelado.
- Você não muda mesmo não é. O que vai ser, o de sempre, Smirblood?
- Não. Me vê uma dose pura mesmo. Não quero nada artificial.
- Nossa! Puro é fogo! Sabe como é, pega mais fácil. Tem certeza?
Akuma irrita-se um pouco:
- É claro que tenho! Anda logo, se não arrumo em outro lugar.
O careca não gosta muito do tom de Akuma e entorta a boca, mas Akuma nem percebe, pois já está perdido em seus pensamentos. O careca já com a garrafa na mão pega um pequeno copo, desses que os humanos bebem pinga, e coloca a dose de bebida alcoólica feita de sangue puro. Coloca o copo no balcão e o empurra na direção de Akuma enquanto fala:
- O Sírio ta doido contigo. Passou por aqui com seus capangas que nem um raio xingando e esbravejando teu nome. O que você aprontou?
Akuma pega o pequeno copo e vira de uma vez. Estala a língua por conta da bebida. Olha para o sujeito do bar, pega uma moeda do bolso e põe em cima do balcão enquanto fala:
- Não sei.
Vira as costas e segue seu caminho.
Ele continua caminhando na rua movimentada e quando está virando pra entrar em outra rua a sua direita duas garotas paradas na esquina falam com ele, uma é loira e alta, usando apenas uma mini-saia e uma bota de cano longo, com uma blusa que nem precisava estar ali de tão transparente, e a outra é uma ruiva de estatura mediana com uma calça colada ao corpo usando apenas um sapato de salto alto e na parte de cima um sutiã:
- Akuma, que tal nos divertirmos hoje de novo?
A outra garota:
- É Akuma, foi tão divertido. Podemos fazer tudo de novo se você quiser.
Elas riem enquanto falam e Akuma, sem diminuir o passo, olha pra elas parecendo se lembrar de algo bom. Responde:
- Outra hora garotas. Agora tenho outros compromissos.
Elas apenas riem enquanto ele já entra na rua que é bem mais calma e vazia, sem movimento e iluminação alguma. A rua é sem saída e Akuma caminha procurando seu fim. Uma fumaça densa sobe dos bueiros ocultando o fim da rua, mas quando a fumaça baixa Akuma consegue enxergar o que procura. Uma porta de metal.
Ele se aproxima. Sem precisar bater nem fazer barulho algum o vão superior da porta se abre e alguém do outro lado fala com ele, deixando aparecer somente seus olhos:
- O que você quer?
- Deixa de ser idiota. Sabe que vim falar com seu chefe.
O cara se irrita e fecha o vão. Ouvem-se barulho de trancas do outro lado e a porta se abre. Akuma entra no local mais escuro que a rua, ele entra. O sujeito metido a grandalhão diz com um tom grosseiro:
- Ele ta na sala dele.
Akuma nem olha pro sujeito e passa direto por trás dele seguindo um corredor pouco iluminado com luzes fracas até o fim, onde se encontra outra porta, que já está aberta. Dois outros sujeitos com o mesmo aspecto do grandalhão o observam de dentro da sala e viram-se para o lado para comunicar à chegada do visitante:
- Akuma está aqui.
Akuma entra na sala. Sem dizer nada nem olhar para os capangas a sua frente vira-se para a direita onde está a pessoa que o interessa. É Sírio, um sujeito enorme de gordo. Akuma foi contratado por ele para fazer um determinado "trabalho", essa é a sua profissão. Sírio palita seus dentes. Na mesa a sua frente, dentro de um prato, pequenos pedaços de carne crua envolta em uma poça de sangue. Ele usa um lenço no pescoço também sujo de sangue:
- Akuma, que pena! Chegou atrasado pro café, agora já terminei.
Akuma, ignorando as brincadeiras, em tom sério responde:
- Fiquei sabendo que estava meio irritado comigo.
Sírio joga seu palito de dente no chão:
- Não, não irritado. É que ouve algum engano com o nosso acordo, com seu trabalho. Eu acho que você não ouviu bem os termos. Era pra você me trazer o corpo dos dois, aqui.
- Não. O trato era me desfazer deles. E caso você quisesse os corpos, me avisaria antes de eu terminar com tudo.
Sírio tira o lenço do pescoço. Ele o amassa tentando conter sua raiva. Sírio odeia ser contradito, e isso o tira do sério profundamente, se fosse com outra pessoa ele já a teria matado instantaneamente, mas como é com Akuma ele não se precipita:
- Tudo bem. Então acho que já podemos acertar.
- Dinheiro é sempre bem vindo.
Sírio tira um bolo de moedas de ouro da sua gaveta e as põe na mesa.
Akuma faz cara de desentendido:
- O que é isso? O trato era cinqüenta moedas e não apenas quinze.
Sírio tenta explicar-se:
- É que por conta desses mal entendidos, tive alguns prejuízos e então tive que mudar o valor um pouco.
Akuma se irrita, aproxima-se do rosto de Sírio, que recua um pouco:
- Seu gordo imbecil! Acha que eu vou aceitar essa porcaria de pagamento pelo meu trabalho?
Sírio demonstra medo, mas quando quer começar a se justificar nota algo que o faz mudar sua feição. Ele abre um pequeno sorriso e parece ficar satisfeito com a situação:
- Sabe como é Akuma. Tratos mudam. E a propósito, onde estão suas espadas? Você nunca anda sem elas.
Akuma percebendo o "perigo" que corre responde em tom maroto:
- Só ando com elas quando tenho que matar quem mereça.
Nesse momento Sírio apenas com um gesto de seu rosto dá uma ordem para seus dois capangas que estão atrás de Akuma. Um deles resolve tirar uma pequena faca e partir pra cima dele, o outro com uma pequena foice tenta acerta-lo por trás.
E numa fração de segundo Akuma pula por cima dos dois aterrissando logo atrás deles, que quase acertam seu chefe quebrando sua mesa e caindo por cima dele. A cadeira de Sírio vira levando-o ao chão.
Nesse momento outros três capangas chegam, incluindo aquele da porta e avançam em Akuma pela lateral, ele se desvia de um de cada vez jogando-os em cima dos outros dois que estão perto de Sírio. Os cinco capangas se empilham por cima de seu chefe que fica nervoso demonstrando com todas as suas forças:
- Incompetentes! Vocês são cinco e ele é apenas um. Peguem-no!
Os cinco recompõem-se e vão pra cima de Akuma de novo que dessa vez dá uma surra neles os deixando em nocaute no chão. Em seguida ele aproxima-se da mesa quebrada de Sírio, que demonstra medo:
- Vai me matar agora?
Akuma sem falar nada se aproxima de Sírio, ele tapa o rosto com medo da morte, mas Akuma apenas recolhe algumas moedas que se espatifaram da gaveta de Sírio, fala em tom maroto:
- Bom. Isso deve bastar. Cinqüenta moedas pelo combinado, mais cinqüenta pelo trabalho extra de agora a pouco. É que por conta desses mal entendidos, eu tive que mudar o valor um pouco.
Sírio começa a esbravejar:
- Seu ladrão! O trato não era esse. Pegue as suas moedas e vá embora! Ladrão!
Akuma muda sua feição e novamente fica com rosto mais sério:
- Agradeça por eu não ter de levar mais do que você pode pagar. Eu apenas poupei sua vida e a desses outros idiotas por que deixei minhas espadas em casa.
Ele vira as costas e sai. Os sujeitos se contorcem ao chão:
- Levantem seus idiotas! Venham me ajudar a levantar!
Akuma fecha a porta atrás dele. Volta a caminhar na rua vazia e escura, passa pela esquina, onde agora as duas garotas conversam com alguns rapazes bastante interessados em seus serviços. Elas não reparam a presença de Akuma e nem ele a delas, ele passa reto e volta a rua mais movimentada.
Avista novamente a tenda onde costuma beber, lá continua o sujeito careca, agora servindo bebida no copo de um cliente. Ele se aproxima, olha para o copo da pessoa ao seu lado e pede o mesmo ao careca. Ele serve um copo a Akuma e ele vira o copo, rapidinho. Em seguida, sem olhar para quem está ao seu lado, pergunta:
- Então, o que quer comigo?
Ela responde:
- Eu achei que iria ganhar um olá de você, mas vi que continua igual. Preciso bater um papo com você, mas não aqui.
Akuma mostra impaciência e olha direto nos olhos quando fala:
- Diz logo o que você quer Ludmilah!
De Ludmilah, só aparecem os olhos verdes, as outras partes do rosto e do corpo estão escondidos atrás de uma capa preta com capuz:
- Nossa! O mesmo pavio curto ainda!
O careca que atende interrompe:
- Não precisa falar assim com a moça.
Akuma apenas da uma olhada de canto pra ele, que se desconserta e vira para o outro lado. Ela continua:
- Não se faça de tolo. Sabe que não posso tratar qualquer assunto na rua.
Akuma mostra os dentes, mas não move nem um músculo. Ele deixa a mulher que está ao seu lado falar do jeito que quer com ele. O careca olha com uma cara querendo tirar sarro da situação, mas Akuma olha novamente pra ele, que vira pro outro lado de novo, Akuma diz:
- Só me diga uma coisa. É você que quer tratar esse assunto comigo?
- Não. É o drakulah da cidade. Já falei coisa demais que não devia ter contado. Mais alguma coisa que deseja saber ou podemos ir agora?
Akuma pega uma de suas moedas de ouro e põe no balcão pra pagar. O sujeito que atende olha com uma cara de espanto pra moeda de ouro:
- Mesmo pagando pelos dois não vou ter troco pra tanto!
- Use o resto pra reformar esta espelunca!
Os dois saem do local. Akuma caminha pela rua ao lado de Ludmilah:
- Pra que chamar o lugar que aquele cara trabalha de espelunca?
- Aquilo é uma espelunca. Não disse nenhuma mentira.
- Mas você vive lá. Se queria ajudar o coitado, por que não deu todo o ouro que carrega com você?
Akuma não fala nada. Apenas continua caminhando. Ludmilah continua:
- Você é sempre o mesmo. Quando fica quieto é por que não tem com o que retrucar.
Ele continua quieto. Os dois passam por mais algumas ruas movimentadas, e saem do centro, caminham mais uns quarteirões e chegam a um bairro mais civilizado. Enormes mansões cercam o lugar. Agora, uma iluminação mais leve paira no local, diferente das ruas do centro. A Lua no céu se esconde atrás das nuvens, e o silêncio toma conta do lugar. Nem um ruído se ouve, a não ser da respiração de Ludmilah e Akuma.
A frente uma enorme mansão, a maior da rua, com vários quartos e apenas um cômodo aceso na parte de baixo, um enorme portão e alguns metros de jardins e árvores delimitam o acesso a esta enorme casa, Akuma não se surpreende, mas sim se recorda de fatos antigos:
- A casa do drakulah. Faz tempo que não venho aqui.
- É. Desde seu último trabalho.
- Ultimamente tenho tido bastante sorte. Tenho arranjado vários trabalhos.
Eles entram portão adentro, Ludmilah:
- Eu não ficaria muito feliz se fosse você. Daqui a alguns minutos voltamos a conversar e você me diz se acha ótimo ter vários "trabalhos".
O jardim é grande, e as árvores também, Akuma ignorando a última frase de Ludmilah apenas olha as grandes copas das árvores enquanto eles caminham. Sem se dar conta, já estavam perto da porta.
Duas grandes portas de madeira estão à frente deles, Ludmilah não precisa bater, pois elas se abrem sozinhas, um lacaio está atrás da porta. A sala escura apenas iluminada pela vela na mão do lacaio não permite ver nada do que existe ali. O lacaio é um ser inferior aos olhos de um drakulon, um humano, apresenta as mãos e pés tortos e várias marcas de mordida por todo o seu corpo. Akuma olha a figura e tem a impressão que se der um sopro, o sujeito cai no chão. Ele quase fica com dó do homem, mas outra situação obriga Akuma a virar seu rosto.
Ludmilah que já se sentia segura retira sua grande capa de cima do seu corpo e pela primeira vez depois de muito tempo, Akuma aprecia seu corpo perfeito; Seus cabelos castanhos escuros combinam com seus olhos verdes e com seus lábios carnudos. Seus seios, não muito grandes, nem muito pequenos, chamam ainda mais atenção dentro de uma blusa apertada, contrastando com seu quadril firme e que parecia ser...durinho.
Isso era o que passava na cabeça de Akuma, mas como ele não se deixava abalar não mudou sua feição, nem apenas por um segundo. Ludmilah interrompe seus pensamentos sem imaginar o que Akuma pensa:
- Vamos. É por aqui. Ainda se lembra onde fica a sala do Drakulah?
Akuma faz sinal de afirmação com a cabeça. O lacaio vai à frente dos dois segurando a vela para iluminar o caminho, mas leva uma repreendida de Ludmilah:
- Estúpido! Esqueceu-se de novo que não precisamos de velas pra enxergar no escuro! Some daqui!
O lacaio corre pro outro lado, deixando Akuma e Ludmilah percorrendo a sala no escuro, ou quase, pois Drakulons enxergam perfeitamente à noite. Eles chegam a uma outra sala onde o drakulah os aguarda. Ludmilah abre a porta, uma luz forte sai lá de dentro, Akuma entra primeiro, ela entra logo depois e fecha a porta.
Continua...
Bruno Montoro Borba