sábado, 8 de maio de 2004. edição 1

Me sinto estranho...
maurício arus

Eu me sinto estranho. Desta vez, não foi minha falta. Não há traços e nem vestígios que me incriminem, nem mesmo uma linha de raciocínio similar a minha impregna os fatos. Se fosse o meu desejo, ou objetivo que isso acontecesse, seria o crime perfeito. Bem, então deve ter sido minha falta.

Eu me sinto estranho. Outra vez, eu sei, foi minha falta.

Sim claro, fazia questão de demonstrar a inveja que sentia por eles, e também deixava claro que aquilo não abalaria a amizade, pois nunca me ocorreria interferir no relacionamento deles. A não ser que fosse convidado. Irônico não!?

Eis a questão, que não irá calar... Deveria eu não desejar seguir meus instintos, ou até mesmo influenciar para que as pessoas fossem atrás de seus sonhos? Por mais sórdidos que esses possam parecer... Eles fazem parte de quem nós podemos ser, e reagem com o ambiente ao redor e com as pessoas.

Na verdade este não é o catalisador da reação.

Desde que o homem é homem, muito antes de existir a civilização, o desejo que a fêmea desperta em nós é quase que incontrolável, se avaliados os princípios do indivíduo, não há nada que o segure de expressar o que está sentindo.

Tem razão, ainda não expliquei o que estes insólitos parágrafos querem dizer... Pois lá vai! É a fidelidade algo impossível de se existir? E a sinceridade? Claro que não. É uma pergunta recíproca. O fato é que, há certas pessoas que não conhecem essas palavras, e aqueles que conhecem raramente acham alguém que corresponda.

Siga os sues desejos mais profundos, se entregue na hora errada por um motivo certo, no local que você quiser... Tu és livre e sempre, o que tu fizeres irá reagir de uma maneira e vai de você saber lidar com as conseqüências das suas ações.

Isso tudo pra dizer, que é bom estar do lado de fora dessa bola de neve, pois a traição é isso mesmo, uma bola de neve... Que vai derrubando todos os conceitos que as palavras amor e outras mais profundas tem... (entende? O amor não é o mais incerto e puro, nem o mais traiçoeiro e rico dos sentimentos.).

O que você entende como traição?

Sinceramente... Eu não entendo desse assunto, nunca ouvi falar e nunca fiz ou vi... Mas se você me perguntar se ele machuca, ou se deixa marca, eu lhe mostro as minhas cicatrizes e digo, que nem eu, por vingança de algo que foi injusto, ou raiva do olhar em mim lançado pelo mundo que me cerca, que nem ao meu pior inimigo eu desejo isso.

Exagero não é?

O que você entende como traição?

Eu me sinto estranho. Minhas lembranças dizem que eu sempre serei culpado. Sempre será a minha falta.


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