Seu lar é uma fonte de felicidade
gabriel zamprogna
A frase, mecânica e tipograficamente impressa num pequeno pedaço de papel enrolado, antes encerrado num biscoito da sorte, ao ser libertada consegue a máxima de uma gargalhada. Perfeita sensação, não fosse seu complemento um turbilhão de pensamentos adversos de dúvida, dor e ódio.
Porque o mundo e a nossa existência seriam perfeitos; o universo conspiraria a nosso favor e nossos lares verdadeiras 'fontes de felicidade'; seríamos todos seres do bem e a dúvida não nos acompanharia, se estivéssemos preparados para enfrentar o lunatismo de uma vida 'normal', fazendo, em primeiro lugar, dos nossos lares nascentes de energia positiva.
É fato que em geral nossas dúvidas (as que causam as dores) nos consomem a partir da total falta de preparo em que somos jogados, ao iniciar nossa jornada neste planetóide, mundo que se apresenta a cada dia como um lugar mais assombroso e inseguro.
Somos filhos da dúvida. Crescemos e desenvolvemos um ambiente de questionamentos ao nosso redor, colocando-nos de forma animalesca numa defensiva eterna. Freud explica, mas não resolve, a culpa que joga a sociedade apocalipticamente moderna a guerras estúpidas, corriqueiras. O falocentrismo mundializado rompe fronteiras, derruba presidentes e nos traz de volta, numa mistura escabrosa com o materialismo exacerbado, o perigo iminente, o medo, o apocalipse. Tomamos como normais as divisões vergonhosas de recursos e a exploração do indivíduo, por toda parte. Toneladas de lixo publicitário invadem nossas vidas e nos tornam cada vez menos dotados de livre arbítrio, enquanto relaxamos.
E ninguém nos preparou para isso. E então nos embriagamos de academicismos inúteis e deixamos de lado a discussão verdadeira, nosso presente, passado e futuro, como detentores do poder supremo da manipulação de todas as coisas. Ética e religião são necessários, mas de que forma e até que ponto e para quem?
Mais simples seria, de começo, fazermos de nossos lares "fontes de felicidade". O preparo para a mudança passa necessariamente por reflexão e interior e conhecimento de si. O primeiro passo, meus amigos, tem que ser dado por nós mesmos, porque a loucura coletiva é muito louca...